"O que me impulsionou a realizar esse trabalho de pesquisa foi o fato de não existir algo concreto e atualizado sobre a história do nosso município. Assim sendo, acredito que esse trabalho possa auxiliar e contribuir nos estudos das futuras gerações jandairenses". Frisou o professor.
Ainda segundo o professor Anchieta, ele informou que irá disponibilizar esse trabalho em exemplares para cada escola do município.
Vale a pena ler o relato feito pelo professor até o final. Se você é natural do município, morou ou mora nele é bom conferir e ficar por dentro das origens da cidade.
Por PINTO, Anchieta. Jandaíra “A
Origem”.
Sua emancipação ocorreu em 27 de
Dezembro de 1963, quando foi desmembrado do município de Lajes, passando a ser
o mais novo município do Estado naquela data.
O município concentra sua
economia na produção da cal que é produzido nas caieiras (forno de alvenaria
que queima a pedra com o combustível da lenha). Essa atividade caiereira
existente no município vem ocorrendo desde os primórdios, causando grande
destruição e impacto ambiental nas redondezas, devido à extração de lenha e
pedra, destruindo o habitat natural de muitos animais da região, modificando o
cenário da fauna e flora. Por outro lado tem sido uma atividade necessária para
economia do município, pois durante muitos anos foi a maior fonte de renda para
muitos pais de família. Bem como no seu comercio interno, feira livre que
ocorre aos domingos (uma tradição no município), mercadinhos e lojas diversas,
e a fonte de renda publica (Prefeitura municipal).
Os primeiros moradores a chegar à
comunidade e constituir famílias, foram os Messias e Fernandes as mais
conhecidas. Outras como: Santos, Lopes, Aguiar, Matias, Damasceno, Ferreira,
Pinto, Martins, Costa, Estevam, Marinho, Ricardo, Alexandre, Lima, Roque,
Nunes, Justino, Pinheiro, câmara, Lourenço, Oliveira, Silva e outras que também
constituem essa grande família Jandairense.
Em entrevista com o senhor
Francisco Bento Messias de 67 anos, filho do senhor Diomédio Messias da Cruz e
da senhora Severina Lima da Cruz, como já foi citado um dos primeiros moradores
de Jandaíra. Ele relatou: Entrevista em fevereiro 2013.
“Meus pais quando chegou aqui foi morar lá com os mamedios, naquelas
casinhas velhas próximo daqui, no “olho d’água” que existe até hoje, eles eram
primos”.
| Caverna do Letreiro uma das principais cavidades do município |
Esse olho d’água é uma das mais de 30 cavidades geológicas existentes neste município, essas cavernas, além de existirem pinturas rupestres
mesmo que apagadas ou rasuradas pelo tempo e por pichação, existem também
histórias de contemporâneos terem usado-as como moradia. Mas isso é outra
história a ser publicada, em breve.
Eles vieram da cidade de Lagoa Dantas, nos anos entre 25 e
30. Chegaram com um filho e os outros nasceram aqui já em Jandaíra. Tempos depois
meu pai construiu uma casinha aqui próxima (na BR 406), e aí todos crescemos
aqui em Jandaíra e constituímos famílias.
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| Poço instalado na comunidade de Campo Serra Verde |
O município tem registros desde 1941, reconhecido pelo
governo do Estado da época, pesquisa feita por Anfilóquio Câmara, quando foi
reconhecido por Poço de Jandaíra, um pequeno povoado com poucas casas. Com base
nessa pesquisa de Anfilóquio onde ele cita Poço de Jandaíra, iniciamos outras
pesquisas no intuito de enriquecer essas informações para que possam servir
para futuras pesquisas, e assim fixar na memória dos jandairenses sua própria
história. Pensando nisso fizemos buscas na comunidade por depoimentos ligados a
época e por esse poço, e descobrimos que na verdade são vários poços
construídos naquela época pelo DNOCS, (DEPARTAMENTO NACIONAL DE OBRAS CONTRA AS
SECAS), onde encontramos várias informações valiosíssimas para nosso trabalho
de pesquisa na sua página na internet.
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| Poço instalado na Comunidade de Aroeira |
O DNOCS se constitui
na mais antiga instituição federal com atuação no Nordeste. Criado sob o nome
de Inspetoria de Obras Contra as Secas – IOCS através do Decreto 7.619 DE 21 de
outubro de 1909 editado pelo então Presidente Nilo Peçanha, foi o primeiro
órgão a estudar a problemática do semi-árido. O DNOCS recebeu ainda em 1909
(Decreto 13.687), o nome de Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas – IFCOS
antes de assumir sua denominação atual, que foi conferida em 1945 (Decreto-Lei
8.846, de 28/12/1945), vindo a ser transformar em autarquia federal, através da
Lei nº 4229, de 01/06/1963.
Feitas as pesquisas, podemos
relatar que a formação deste município vem de bem antes da pesquisa feita por
Anfilóquio. Esse município e outros da redondeza tiveram um grande aliado já na
década de 30, quando o governador Raphael Fernandes Gusmão, ordenou perfurações
de poços tubulares, na região do Mato Grande e em outras regiões nas
proximidades de Mossoró. Com isso a migração foi acontecendo naturalmente das
cidades e povoados vizinhos. Em pesquisas realizadas no município fizemos a
contagem de 5 poços construído na década de 30, um no distrito de Aroeira em
1937, um outro no distrito de Trincheiras, cuja a data não foi possível
visualizar por motivo de depredação, outros dois no Campo de Serra Verde
(distrito pertencente a quatro
municípios, Galinhos, Pedro Avelino, Lajes e Jandaíra). Esses dois construídos
no Campo de Serra Verde, um tem sua datação de 1937 e sua localização fica na
parte pertencente à Jandaíra, o outro com a datação 1935 fica na parte que
pertence a Galinhos, com uma distância de 200 metros entre ambos. Na sede
(Jandaíra), encontra-se uma perfuração da época, mas também, não foi possível
visualizar suas informações por este se encontrar desativado. É importante
saber que esses poços tiveram uma grande importância no crescimento deste
município, uma vez que o Governador Raphael Fernandes Gusmão, autorizou essas
perfurações em pontos onde se concentravam povoados as margens da BR – 406, e
específico neste município com distância entre cinco a dez quilômetros entre
ambos, as pessoas matavam sua sede e de seus animais e se aproximavam um dos
outros concentrando-se mais na sede. Assim sendo, acreditamos que este
município tenha muitas histórias a ser pesquisadas que ocorreram antes e depois
das perfurações desses poços. Isso fica visível no relato do Sr. José Pinto:
Certo dia sai com meu irmão Zé Antônio
lá da Serra da Macambira pra pegar água em Jandaíra nesse poço que fica aqui na
rua da frente, (BR 406) era seis carga de barril, cada jumento levava uma,
quando cheguei no poço tinha uma fila que não tinha tamanho, era galão, barril
e burros por todo lado.....Isso era comum naquela época senhor José? Sempre
que o ano era fraco de chuva essa era a solução, pegar água nos poços mais
próximo toda semana, isso foi no ano de 45 pra 48, nesse dia saímos pra pegar
água no poço lá no alto de trincheiras, porque aqui estava cheio de gente. Más seu José, entre Serra da Macambira e Trincheiras são mais de trinta e cinco
quilômetros, pra ir e voltar como vocês faziam esse percurso? Quando a gente saiu era escuro pra amanhecer,
na volta já era noite, isso tudo só com rapadura e farinha. (entrevista em 2013
Janeiro. Senhor José Pinto dos Santos, 78 anos aposentado e morador de Jandaíra
desde de 1934).
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| Praça da Igreja Matiz de São José Operário |
Jandaíra fica localizada entre
Lajes e Caiçara do Norte. Naquela época o comércio entre as cidades era
realizado com bastante dificuldade, pois não existiam estradas asfaltadas que facilitasse
o acesso entre ambas. Com isso, essas transações comerciais ocorriam de forma
precária e lenta em cima de jumentos comandados pelos “tropeiros”, era assim
que eram conhecidos os comerciantes que faziam esse tipo de negociação no lobo
do jumento. Os tropeiros negociavam lenha, peixe e mel. Essa lenha era extraída
das redondezas de Lajes e Jandaíra, o peixe pescado em Caiçara do Norte e o mel
extraído nas matas do então município. Nessas transações os tropeiros fixavam
ranchos no interior de Jandaíra para descansarem.
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| Cortiço de Abelha Jandaíra |
Neste meio tempo, praticavam
a extração do mel da abelha “Jandaíra” que existia na área e de onde veio o
nome do município. Naquela época a abelha era em grande quantidade, por se
tratar de uma região com muita mata virgem e por ser pouca explorada dava as
condições favoráveis para a Abelha produzir o mel. A extração era feita de
forma artesanal e individual, sua comercialização era feita por troca com
outros alimentos para ajudar na subsistência das famílias dos agricultores na
época. Hoje a abelha “Jandaíra” está em extinção, às poucas restantes
encontra-se produzindo o mel em uma espécie de cativeiro “o Cortiço” (pequeno
compartimento feito de madeira com um só furo). A extração do mel ainda hoje é
feita de forma individualizada por poucos apicultores existentes na cidade, mas
com um diferencial, a extração é feita com roupas e equipamentos adequados na
maioria das vezes.
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| Produção de Algodão |
A cidade foi seguindo seu curso
anos após anos com sua economia aumentando lentamente, mas com garantias de
dias melhores com as produções de algodão, agave, cal, criação
de animais (gado, caprinos, ovelha) e a extração do Mel. Hoje o município
continua crescendo economicamente e em habitantes com a chegada da usina eólica
em vários municípios do estado e no próprio município jandairense, pessoas de
varias partes do estado tem migrado para Jandaíra em busca de empregos e
atraídos pela calmaria que é essa comunidade, seus moradores filhos e filhas de
agricultores ajudam nesse crescimento trabalhando, estudando e se qualificando
nas mais diversas áreas do conhecimento, acreditando em uma vida cada vez
melhor.
De onde viemos? Quem somos? E
para onde vamos?
Feliz aquele que conhece sua
história e sua descendência. Pois só assim entenderá a importância da vida e a
missão que tem no desenvolver da caminhada.
Anchieta Pinto
Anchieta pinto, nasceu em
Jandaíra/RN em 1977, filho de José Pinto dos Santos e Aurina Lourenço dos
Santos. É Licenciado em História pela Universidade Vale do Acaraú (UVA), e
Especialista em Educação Ambiental e Geografia do Semiárido pelo Instituto
Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), Campus Macau/RN.
Pesquisa e texto: Professor Anchieta Pinto;
Correção Ortográfica: Professora Pedagoga Cristiane Martins;
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SANTOS, J. P. Jandaíra “A
Origem”: depoimento. [10 de Janeiro, 2013]. Jandaíra/RN, Entrevista concedida a
Anchieta Pinto.
MESSIAS, F. B. Jandaíra “A
Origem”: depoimento. [21 de Fevereiro, 2013]. Jandaíra/RN, Entrevista concedida
a Anchieta Pinto.
DEPARTAMENTO NACIONAL DE OBRAS
CONTRA AS SECAS. Manual de referências bibliográficas. Disponível em:
www.dnocs.gov.br. Acesso em: 14 de Dez. 2012.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA
E ESTATÍSTICA Manual de referências bibliográficas. Disponível em:
www.ibge.gov.br. Acesso em: 15 de Nov. 2012








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